Estou tinindo de dor de cabeça. Assim meio na nuca, subindo prá cima di pur di trás da cabeça e descendo prá baixo prás bandas dos óio. Acho que dormi desajeitada, talvez com o pescoço esconjuntado no desembôlo do travesseiro. Vai que foi isto. Sei não. Dói, a merda. Azá.
Não posso tomar aspirina porque me lasca uma dor danada no estômago. Mesmo que seja um pedaciquim de nada. A dor de cabeça desaparece e vai parar todinha, em dobrado, no estômago. O médico disse que sou alérgica a aspirina e seus derivados. Chique, né? Mas dói, a merda. Tomo um tal de acetaminofem (acho que é assim que se escreve), um medicamento que derrete o fígado da gente. Bão, né? A dor passa. O fígado ainda não deu sinal de derretimento e num dói nem nada. Pelo menos. Inda bem.
Sou mesmo uma tonta. Tenho esta mania de programar o que o meu dia seguinte vai ser, assim que me deito para dormir, na noite anterior. Acho que faço isto para “pegar soninho”. Fico pensando coisas boas para não ter sonhos ruins também. Trem mais bobo. Eu sei.
Eu costumava gostar muito de dormir e sonhar. Costumava ter sonhos porretas. Sonhava que estava voando e aprontava até. Era tão gostoso. Eu costumava rir muito nos meus sonhos. Poucas vezes eu chorava e, se isto acontecesse, por algum motivo, havia uma vozinha que me dizia: “Acorda, topeira, você está sonhando!” Era bacana.
Hoje em dia, sonho pesado e sem graça. Perdi a inocência. Acho. E será por quê eu sempre sonho que é de noite, hein? Nunca sonho com sol brilhante, céu azul e coisas assim. É de noite e pronto. Está sempre escuro lá fora e se há luz, é artificial. Coisa, né?
Pois, como eu ia dizendo, nesta de programar o meu dia seguinte, acordo com um certo rítimo na cabeça. Coisas para fazer, hora de parar de trabalhar, projetos que quero começar e assim por diante. ODEIO quando, tendo meu programinha todo bem elaboradinho, algum acontecimento tira tudo de ordem.
Hoje foi assim mesmo. Acordei prontinha para vir cá para baixo, no meu quarto de costuras, fazer um caminho de mesa novo para minha sala de jantar. Já até comprei os tecidos e linhas. Dormi contente pensando no que ia fazer.
Merda. A secretária do dentista telefonou e nos avisou que o Doutor Nosari (este é o nome dele – estranho, né?) vai se aposentar e, se quisermos uma última visita/exame/tratamento com ele, TEM QUE SER HOJE.
Como pode uma coisa destas? Um doutor tão legal, tão engraçadinho e tão gente boa – mão leve e gentil – vai se aposentar, assim sem mais nem menos? E vai deixar a gente (depois de hoje) à mercê dos outros panguás que trabalham no mesmo consultório. Fiquei triste e fiquei emputecida dobrado.
Primeiro, por perder o melhor dentista que já tive. Depois, porque meu programa para hoje foi para as cucúias.
Só espero que Doutor Nosari tenha uma boa aposentadoria. Ele merece.
Mudando de assunto. Tem uma zuiúda na televisão falando um monte de besteiras. Temos uma tv aqui bem pertinho de nossos computadores. Já pensei que meu marido, se fosse brasileiro, tinha que ser aparentado com um conhecido lá de casa, um tal de Wilson Martini. Este senhor, nos tempos em que eu era ainda pititinha, tinha um monte de televisões na casa dele e elas viviam ligadas. Isto, no tempo em que a gente só via tv à noite. Na casa dele, as bichas eram ligadas quando o povo acordava e desligadas, quando eles iam dormir. Éca.
Maridas meu tem sempre que ter uma tv ligada. Para tanto, temos tvs em quase todos os cômodos desta casa. Credo. Levei um tempo mas aprendi a não prestar atenção nas titicas de tvs. E o que há de programa de merda nas tvs americanas não é brincadeira.
Tadim de Maridas. Não gosto de falar estas coisas dele. Parece que estou falando mal dele, quando ele é tão bacana. Estou não. Ele é bacana demais.
Mudando de assunto de novo. Parei de tomar Pepsi Cola. Adoro Pepsi mas a diaba me lasca um barrigão de grávida. Que coisa, né? Os homens, quando ficam velhos e cheínhos, ficam até mais gostosos. Nós mulheres, cheínhas e barrigudas ficamos mesmo umas jabiracas de feias. Nesta, lá se foi minha Pepsi.
Por hoje chega.